ACOMPANHAMENTO PROFISSIONAL É INDISPENSÁVEL PARA O MELHOR DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SEVERA E AUTISMO GRAU 3

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou o popularmente conhecido autismo, se manifesta no período de desenvolvimento da primeira infância da pessoa, apresentando prejuízos nas áreas de reciprocidade socioemocional, comportamentos comunicativos e padrões de comportamentos restritos e repetitivos. Por esse motivo, é avaliado e classificado cientificamente em níveis de gravidade, sendo o 1 como leve, 2 moderado e o 3, que se enquadra no autismo severo, considerado o mais sério e com sintomas mais intensos. O autismo pode ocorrer com ou sem deficiência intelectual concomitante. Para que indivíduos que possuem os dois diagnósticos se desenvolvam e tenham melhor qualidade de vida, é necessário o acompanhamento profissional, conforme aponta Natália Costa (foto), mestre em psicologia e diretora do CENSA Betim, instituição que é referência nacional na área há 56 anos e conta com uma equipe transdisciplinar.

Para Natália Costa, o diagnóstico precoce de autismo é essencial para o melhor desenvolvimento da pessoa nesta condição. “O Transtorno do Espectro Autista é dividido em três níveis. No primeiro, a pessoa necessita de pouco suporte, pois o sintomas se apresentam de forma mais leve. Já o grau 2, que é o moderado, os déficits trazem maior prejuízo no cotidiano do indivíduo e por fim, no grau 3, que é o autismo severo, as pessoas precisam de maior suporte, pois comum apresentarem déficits de comunicação graves associado à dificuldade nas interações sociais e autonomia comprometida. Fora tudo isso que expliquei, eles ainda tendem ao isolamento social, interesses restritos, comportamentos repetitivos e estereotipados, e não raro, apresentam também quadros de depressão”, comenta.

Segundo Natália Costa, o suporte profissional é essencial para as pessoas com autismo severo associado a deficiência mental e intelectual. “Estes indivíduos precisam de intervenção porque geralmente são dependentes, principalmente para realizar as atividades da vida diária, como ir sozinha ao banheiro, alimentar-se e higienizar-se. Elas precisam de apoio para a maior parte das atividades, por isso a gravidade da situação, até porque, elas costumam se isolar e têm muita dificuldade de flexibilidade mental. Geralmente, o atraso cognitivo traz comprometimento na vida acadêmica, demandando um profissional também no ambiente escolar. É importante lembrar que o suporte se estende também para as famílias, que muitas vezes não sabem como lidar e ajudar no desenvolvimento da pessoa com esse quadro”, completa.

Suporte e apoio

Natália Costa destaca que pessoas com esse diagnóstico costumam responder bem a programas educacionais, desde que adequadamente estimulados. Por isso, ter uma equipe de especialistas ao lado, como os do CENSA Betim, para dar suporte para os pais e assim melhorar as habilidades sociais, a comunicação e o comportamento, é indispensável. “As intervenções pedagógicas individualizadas e intensivas geralmente apresentam bom progresso. No entanto, no autismo severo esse desenvolvimento pode ser lento e até parcial, mas lembro que cada melhora e conquista é importante para a pessoa que está nessa condição. Além do nosso acompanhamento é importante a participação dos membros da família nos cuidados e interação cotidiana com esses indivíduos, de maneira que promovam habilidades de interação social, administrem problemas de comportamento e ensinem habilidades de vida diária e comunicação. No caso da comunicação, o fonoaudiólogo é indicado para melhorar as habilidades de comunicação, a terapia ocupacional e a pedagogia para ensinar as atividades da vida diária, a psicologia pra aumentar o repertório de comportamentos socialmente habilidosos e a fisioterapia para melhorar as questões motoras e o equilíbrio”, conclui.

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