LABORATÓRIO DE SETE LAGOAS COLABORA COM PESQUISA DA UFMG PARA IDENTIFICAR MUTAÇÕES DO CORONAVÍRUS

A Rede Vírus-MCTI divulgou a conclusão do estudo de estimativa da frequência de variantes de SARS-CoV-2 no estado de Minas Gerais. O Laboratório Municipal de Testes para Identificação da Covid-19 de Sete Lagoas participou do estudo e enviou amostras para o Laboratório de Biologia Integrativa da UFMG (LBI-UFMG), que fez as análises. “Tivemos um caso de um paciente de Covid-19 atípico, jovem, sem comorbidades, e evolução rápida para óbito. Suspeitamos que essa evolução rápida pudesse estar associada a uma nova variante do vírus. Imediatamente entramos em contato com o Dr. Renan Souza, coordenador do LBI-UFMG, que junto à sua equipe de pesquisa, se dispuseram a realizar o sequenciamento da amostra desse caso de Covid-19”, afirma o coordenador do Laboratório Municipal, o pesquisador Dr. Delmo Silva.

O LBI-UFMG, após a análise, confirmou as suspeitas: tratava-se da variante P.2. “Essa variante possui uma mutação importante em seu genoma relacionada a alterações na proteína S. Estudos têm mostrado uma relação entre essa proteína com a capacidade do vírus em escapar das defesas do sistema imune humano. Após esse caso, firmamos uma parceria com o LBI-UFMG e enviamos amostras cegas, ou seja, sem dados dos pacientes, para o grupo de pesquisa da UFMG. O LBI-UFMG nos concedeu uma cota mensal de 15 amostras, sem ônus ao município de Sete Lagoas”, explica o pesquisador.

De acordo com Delmo Silva, as amostras enviadas mensalmente são de pacientes com sintomas clínicos atípicos e que apresentem resultado do teste RT-qPCR com carga viral muito alta. “A equipe do LBI-UFMG realiza o sequenciamento genético das amostras positivas para Sars-Cov-2, notificando a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) os casos positivos para variantes. Assim, a equipe de epidemiologia do nosso Município pode, a partir dessas informações, tomar atitudes decisivas para enfrentamento e contensão da propagação das variantes”, comenta o coordenador do laboratório local. Segundo Delmo Silva, essa informação é muito importante, uma vez que Sete Lagoas é um polo de atendimento hospitalar, recebendo grande entrada de pacientes de diversas cidades da regional. “Esse monitoramento é imprescindível, pois permite ao sistema de saúde municipal ficar preparado e adotar medidas estratégicas mais efetivas para evitar e reduzir a disseminação das variantes do Sars-Cov-2, sobretudo as mais virulentas”, alerta o pesquisador. Sobre a parceira, o Dr. Renan Souza, coordenador do LBI-UFMG, comenta que “a colaboração com o Laboratório Municipal de Testes para Identificação da Covid-19 de Sete Lagoas tem sido crucial para que tenhamos um retrato das variantes do coronavírus no município.

Estrutura

Atualmente funcionando nas dependências da Escola Técnica Municipal de Sete Lagoas, o laboratório conta com quatro funcionários que realizam testes RT-qPCR para detecção de RNA de Sars-CoV2. A equipe libera resultados em até oito horas após recebimento das amostras, atendendo à UPA, Hospital Nossa Senhora das Graças, Hospital Municipal e toda a rede SUS de Sete Lagoas. “Atendemos as internações, UTIs, óbitos e profissionais da saúde. Com mais funcionários, temos a capacidade de realizar até 200 exames por dia”, completa Delmo. O estudo mostrou que, das 53 amostras de Sete Lagoas pesquisadas, 41 (77,36%) são da variante Gama (P.1), 10 (18,87%) são da variante Alfa (B.1.1.7) e duas (3,77%) são da variante Zeta (P.2).

Participantes
Participam do estudo o Laboratório de Biologia Integrativa (LBI-UFMG), CT-Vacinas (CTV-UFMG) e Laboratório de Vírus (LV-UFMG), todos membros da UFMG, e membros da Rede, em colaboração com a Fundação Ezequiel Dias (FUNED), Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da UFMG (NUPAD-UFMG), Laboratório Municipal de Biologia Molecular de Belo Horizonte (LMBM-PBH), Laboratório de Vírus da Universidade Federal de Viçosa (LV-UFV), Laboratório Institucional de Pesquisa em Biomarcadores da UFMG (LINBIO-UFMG) e o Laboratório de Referência da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (LR-UFVJM).

Confira a íntegra da pesquisa NO LINK.

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