CRUCIFIXO FURTADO HÁ 25 ANOS É DEVOLVIDO NA REGIÃO CENTRAL; PEÇA TERIA SIDO VENDIDA EM SETE LAGOAS

No próximo domingo (13), dia dedicado a Santo Antônio, a comunidade de Itatiaia, distrito de Ouro Branco (MG), receberá um crucifixo do século XVIII, furtado em 1994. A imagem sacra de madeira, com representação do Senhor do Bonfim, integra o acervo da igreja Matriz de Santo Antônio de Itatiaia, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1983.

Adata escolhida, dia do padroeiro do vilarejo, também será marcada pelo relançamento da campanha de mobilização para a recuperar o restante do acervo sacro desaparecido da Matriz de Santo Antônio. A mobilização, organizada pela Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis, se iniciou em 2018 e tem o apoio do Iphan, das Polícias Militar e Civil, da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), além da colaboração de pessoas de todo o Brasil no reconhecimento e informações das peças. Até o momento, outras duas imagens da Matriz foram recuperadas.

Crucifixo do século XVIII, parte do acervo da igreja Matriz de Santo Antônio de Itatiaia. Foto: Wilton Fernandes

De acordo com o presidente da associação, Wilton Fernandes, a chegada da peça recuperada renova a esperança da comunidade. “Todos aguardam ansiosamente a chegada de mais essa peça recuperada pelos órgãos de defesa e segurança de patrimônio.  Diante disso, temos a certeza de que encontraremos as outras 18 peças do nosso acervo que ainda se encontram desaparecidas”, afirma.

O crucifixo foi recuperado pelo Ministério Público e entregue à Arquidiocese de Mariana em 2015. Na época a Igreja Matriz de Santo Antônio de Itatiaia passava por intervenções de restauro, o que impossibilitou receber a peça sacra. Investigações do MPMG apontaram que a peça foi adquirida entre 1994 e 1998 por um antiquário de Belo Horizonte, que responde a dois processos por receptação de bens culturais roubados. O artefato teria sido vendido por um antiquário de Sete Lagoas, que, segundo o MPMG, também está envolvido com esse tipo de crime. Em 2008, o crucifixo foi exposto no Salão de Arte Hebraica, em São Paulo, ocasião em que foi adquirida por um colecionador, que não exigiu nota fiscal da compra ou comprovação da procedência do bem.

De acordo com a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Debora do Nascimento França, “quem pretende adquirir arte deve sempre ficar atento à procedência das peças. Sem cuidados adequados, pode acabar adquirindo inadvertidamente peças furtadas ou roubadas, principalmente quando se trata de arte sacra”.

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